Post-rock é muito mais que música dreamy longa, com efeitos sonoros (anti)climáticos e vozes atípicas ou etéreas. Pode-se pensar isso, ainda mais se você começou por Sigur Rós e por ali parou. Com competência, a banda islandesa assumiu o posto de sinônimo de post-rock, logo ao lado dos também excelentes Godspeed You! Black Emperor, Múm ou Explosions In The Sky. Num campo onde facilmente sobressaem-se músicas e artistas de qualidade, mas que em parte apenas contribuem para a repetição de uma fórmula, fica cada vez mais difícil encontrar uma banda que entregue algo novo e que se encaixe nos termos do gênero.

E quando acontece de, assim como o Ágætis Byrjun do Sigur Rós, de 1999, uma banda lançar um disco que nem no post-rock parece se encaixar direito?

É aqui que entra Choral, do Mountains (formado pela dupla Brendon Anderegg e Koen Kolkamp, moradores do Brooklyn, em Nova York). São 6 faixas com extrema personalidade, melodias extensas, sons eletrônicos e outros detalhes que evidenciam a personalidade forte do disco. Sempre mantendo o clima intenso – seja na linear “Choral” que dá título ao disco, ou na solitária “Map Table” ou ainda na curta e melodiosa “Sheets Two” – Choral pode, além de pertencer ao post-rock, se encaixar em aventura experimental, música eletrônica ou som ambiente.

E essa habilidade de passear por estilos, sem a possibilidade de enquadra-lo especificamente em um gênero específico, não apenas faz com que o Choral mereça ser ouvido: faz com que sua qualidade seja reconhecidamente inegável.

Myspace do Mountains: http://www.myspace.com/apestaartjemountains

Foi um frisson aqui em casa quando “O Samba me Persegue”, dueto de Mariana Aydar e Zeca Pagodinho, começou a tocar em um disco que eu tinha gravado.

Minha mãe, num misto de surpresa e orgulho, gritou “João, corre aqui!”; meu pai acorreu para sala, e minha tia, que na época passava uns dias em casa, abriu um sorriso largo de reconhecimento. Cada um do seu jeito, o trio se admirava: “O Rafa tá ouvindo samba!”. O que, se por um lado é realmente uma surpresa, pro outro é parte de um processo realmente natural.

Filho da música pop dos anos 90, nunca dei muita atenção para a música brasileira ou para o que era mesmo música de qualidade: eu gostava mesmo era dos álbuns enlatados, das fórmulas engarrafadas, dos artistas fabricados, coisas assim. Não que seja exatamente ruim. Meu primeiro CD do tipo ainda está bem guardado e empoeirado na gaveta – ainda que, doze anos atrás, ele era carregado pra lá e pra cá, inclusive para as rodas de samba da família.

Bom, as discussões sobre o que ouvir começavam no caminho.

“Gente, dá pra por meu CD aí, por favor?”

“Não, hoje a gente vai ouvir o Zeca”

“Zeca? E o que é Zeca?”

“Um pagodinho”

Reprimido pela ordem dos pais e sem fones de ouvido, cresci ouvindo – em tropeços auditivos – os populares Leci Brandão, Jorge Aragão, Eliana de Lima, Martinho da Vila e os mais classudos Clara Nunes, Beth Carvalho, Roberto Ribeiro, Arlindo Cruz e Sombrinha, Noite Estrelada e Demônios da Garoa, além, é claro, do próprio Zeca Pagodinho.

“Reclamou a vida inteira do nosso sambinha e tá aí, ouvindo. Não pensei que fosse ver essa cena um dia, Rafa.” Ao meu histórico musical familiar juntou-se os versos de Mariana e Zeca, e eles responderam por mim: “O samba me persegue/E eu não vou negar”.

Em minha defesa, se é que preciso de uma, digo que Peixes Pássaros Pessoas não é um disco por inteiro de samba: Mariana Aydar parte daí, é verdade, mas também passeia pela MPB e por xotes divertidos. Logo, meus pais flagrarem o filho ouvindo a música mais assumidamente samba foi só uma coincidência boba. Porque, Mariana é bem mais que só samba.

Seguindo o caminho aberto por Vanessa da Mata – pois, convenhamos, as vozes femininas da música eram… masculinas – Mariana Aydar faz parte da excelente leva de cantoras de voz suave e letra bonita, como Fernanda Takai, Érika Machado, Thalma de Freitas, Nina Becker e, mais recentemente, Tiê.

2006 foi um ano importante para Mariana que, de acordo com muita gente, lançou o melhor disco de samba e MPB – um pouco de casa, vai – num todo de música boa.

Isso fica muito claro nas palavras bem versadas de “Florindo”, primeira faixa do disco; um discurso de consolo acolhedor, em tom amigável. É aqui que, facinho, Mariana nos faz companheiros dela, enxugando com doçura o pranto que o tempo pode causar.

A doçura dessa paulista também é vista na história “apenas amigos” ouvida na suave “Aqui em casa” (“Se eu te dou carinho é só pra ser bom/nunca passou de amizade”), se repete na fugidia “Pras bandas de lá” e permeia o restante do álbum, mesmo quando sensualmente Mariana resolve falar de um certo calor que vem e, subindo, a mantém acesa (“Beleza”).

Os maiores destaques enquanto letra estão em “Palavras” – uma escritora falando da própria tarefa com certa angústia – e em Tá?, que deixa bem claro, e com bom humor, que pra bom entendedor, meia palavra bas.

Apostando na interpretação, Mariana soa como a mulher madura que de fato é, provando que toda suavidade pode ser deixada de lado quando necessário. “Peixes Pássaros Pessoas”, faixa que dá nome ao disco, não só foi escrita com inteligentes analogias como é cantada com sufocada angústia por uma Mariana inconformada (e o grito abafado da cantora em determinado momento da música é simplesmente de arrepiar).

As faixas que restam servem para que o disco se encaixe mais no viés samba, fazendo com que meus pais estejam certos quando dizem que seu filho se rendeu aos prazeres do samba – e eu, claro, vou ter que aguentar piadinhas com isso por um bom tempo. Ainda bem que Mariana Aydar, cantora rara, vale o esforço.

Myspace da Mariana Aydar: http://www.myspace.com/marianaaydar

O nome dele é Paulo Renato, mas você pode chamar de Pierre. Também conhecido como o paciente baterista da banda brasiliense Disco Alto, Pierre lançará na internet o seu inusitado solo, “Pra gente que tem pressa”. E, diretamente da Rússia – onde se encontra agora – enviou seu álbum pra que pudesse conferir.
Diferente do seu trabalho com o Disco Alto, Paulo Renato criou um som ambiente, com ares das baladas e festas dos anos 80, com direito a pseudo sintetizadores e tudo o mais (“Também quero ser feliz aos 80″).
Com ótimas melodias criadas numa bateria inventada (“Duas músicas mais ou menos assim”) – e é justo que seja asssim, vindo de um compositor que é, sobretudo, baterista -, “Pra gente que tem pressa” é o curto registro da vivência de Pierre em São Petersburgo: não à toa, dos títulos das música à capa do álbum, em tudo o disco transpira por referências leste-europeias.
Utilizando a tecnologia a seu favor e sendo sincero com sua música, Pierre inventou seu álbum através de seu notebook, aumentando a ideia de música eletrônica – e imaginária.
É, “Pra gente que tem pressa” é justamente isso: sons breves e inventados para dar música a um imaginário particular (e “Nick Lauda, o maior vencedor de todos os tempos” ilustra bem essa oração). O disco ainda conta com a beleza e a pessoalidade de “Marianna” e tem como principal single a ascendente “Droga, mãe, acabou a fita”.
“Pra gente que tem pressa” é um disco de mais ou menos quinze minutos de audição. É, mesmo, pra gente que tem pressa: música breve, boa e inabalável.

O nome dele é Paulo Renato, mas você pode chamar de Pierre. Também conhecido como o paciente baterista da banda brasiliense Disco Alto, Pierre lança na internet o seu inusitado solo, Pra gente que tem pressa. E, diretamente da Rússia – onde se encontra agora – enviou seu álbum pra que o Crítica e Crise pudesse conferir.

Diferente do seu trabalho com o Disco Alto, Paulo Renato criou um som ambiente, com ares das baladas e festas dos anos 80, com direito a pseudo sintetizadores e tudo o mais (“Também quero ser feliz aos 80″).

Com ótimas melodias criadas numa bateria inventada (“Duas músicas mais ou menos assim”) – e é justo que seja asssim, vindo de um compositor que é, sobretudo, baterista -, Pra gente que tem pressa é o curto registro da vivência de Pierre em São Petersburgo: não à toa, dos títulos das música à capa do álbum, em tudo o disco transpira por referências leste-europeias.

Utilizando a tecnologia a seu favor e sendo sincero com sua música, Pierre inventou seu álbum através de seu notebook, aumentando a ideia de música eletrônica – e imaginária.

É, Pra gente que tem pressa é justamente isso: sons breves e inventados para dar música a um imaginário particular (e “Nick Lauda, o maior vencedor de todos os tempos” ilustra bem essa oração). O disco ainda conta com a beleza e a pessoalidade de “Marianna” e tem como principal single a ascendente “Droga, mãe, acabou a fita”.

Pra gente que tem pressa é um disco de mais ou menos quinze minutos de audição. É, mesmo, pra gente que tem pressa: música breve, boa e inabalável.

Blog do Pierre: http://pierrenarussia.wordpress.com/

Download do disco do Pierre: http://rapidshare.com/files/245548302/Pra_gente_que_tem_pressa.rar

She me foi recomendado por um conhecido que, sabendo do meu interesse especial por videogames, disse “ser como entrar em uma mistura de arcade e discoteca”. Essa é uma descrição precisa, mas ultimamente insuficiente: a música desse multi-instrumentista polonês é não só extremamente dançante, como profundamente melódica e sofisticada; destacando-o tanto da legião de artistas indie da musica eletrônica, quanto da turba eternamente alternativa da demoscene e das chiptunes (uma cena particularmente forte no norte e no leste europeu).she music

Contudo, é inegável que existe em seu trabalho a forte influência de uma estética de videogame, se não por uma arquitetura sonora que totalmente fundamentada em square waves e synths da era 8-bit, pela direta citação a temas e melodias de jogos famosos (à título de exemplo, a música “Supersonic”, do excelente EP Chiptek, tem uma óbvia menção ao tema principal do jogo Megaman III). Por outro lado, She revela também uma dívida profunda a atual musica pop japonesa, da qual retira boa parte dos seus arranjos e da arte das capas. E essa mistura – que não é de forma alguma inusitada, mas é sem dúvida bem feita – rende momentos brilhantes, como a dançante “Music” (Chiptek) ou o chip-shuffle “Streets” (Pioneer).

É importante lembrar, em nome da generosidade, que She distribui 90% do seu trabalho online gratuitamente, através do site oficial listado abaixo.

Site oficial do She: http://www.shemusic.org/

Myspace do She: http://www.myspace.com/sheofficial

Depois do excelente Our Earthly Pleasures, um dos melhores lançamentos de 2007 – talvez o melhor -, os britânicos do Maxïmo Park estão de volta com o empolgante Quicken the Heart, lançado pela Warp Records. A banda aposta novamente nas características que a consagraram: um rock cínico com o baixo e a guitarra como destaques e a voz conquistadora de Paul Smith, comandando em letras que mais parecem crônicas do cotidiano. Sempre trabalhando por essa perspectiva de narrativas e alcançando algo existencial, o Maxïmo Park ainda compõe bem suas melodias – da mais animada até a irremediavelmente angustiada – fugindo de fazer uma música que é apenas calcada nos refrões de lugar comum. Ainda que não use o piano da forma sutil que fizeram no disco anterior (“Your Urge”, por exemplo), Quicken the Heart é mesmo um disco do Maxïmo Park. Ou seja, um disco excelente.

Atenção especial para “The Kids are Sick Again“, “Let’s Get Clinical”, “Questing not Coasting” e “Tanned”, minhas favoritas, que resumem bem o novo trabalho da banda e também servem de convite.

Site oficial do Maxïmo Park: http://maximopark.com/

Myspace do Maxïmo Park: www.myspace.com/maximopark

Radio “Crítica e Crise” no Last FM.

Para aqueles que se interessarem pelas sugestões feitas aqui, temos uma estação na Last FM que certamente mostra esses e outros artistas de nota.

Pastas

Calendário

Novembro 2009
S T Q Q S S D
« Jul    
 1
2345678
9101112131415
16171819202122
23242526272829
30  
Watch videos at Vodpod and music videos and other videos from this collection.

Páginas